Vê-se pela frase de fecho, que dessas artes dos números infalíveis e autoritários, nada entendo.
E ainda em pior estado de burrice fiquei quando o Januário me tentou provar que até no amor se pode aplicar uma regra de três, que por mero acaso sei o que é.
Fui humilde, não sai logo pela porta fora, armei a minha melhor cara de …”quero saber tudo desse assunto, amigo Januário!” e corajosamente dispus-me a saber como é que coisas frias como a matemática, podem explicar os quentes do amor!
- É bem simples, é matematicamente simples, é um axioma!
- Axioma??? - Das cifras sei pouco (é uma vergonha dizer que nada sei), mas de léxicos – mais do antigo que da baralhada do novo – cá me vou ajeitando, imodestamente. Mas axioma ? …
- Sim, amigo Cláudio, as ligações amorosas são a prova axiomática da grandeza da matemática!
Escuso de dizer como fiquei perante tão peremptórias e transcendentes afirmações… E o sábio seguiu com a sua tese.
- A regra de três simples … - você sabe como funciona, Cláudio?
- Tenho uma ideia firme sobre isso…mas nunca namorei com nenhuma…
- Não goze, isto é a sério!
- Juro…
- Repare bem: Se João ama Maria, e se Jorge ama Maria, ponha o xis por baixo, o que é que se segue?
- Provavelmente uma cena de estalada ou pior! – alvitrei com redobrados cuidados, dada a jura feita…
- Não seja imbecil! Vá, pense!
Preferi não deixar qualquer dúvida quanto a isso, mesmo caturrando na ideia de que se fosse comigo a coisa, no mínimo, poderia ter resultados mais gramaticais do que matemáticos! Aprendamos então!
- João ama Maria / Jorge ama Maria, disse assim e fica você com as partes…
- Fico ??
- … e o todo do xis não pode ser maior que as partes.
- Bom, até aí…
- Donde, como você tem dois homens e uma mulher, terá que multiplicá-los e dividir o todo pelas partes. O resultado está bem à vista, ou não estará?
Nem lhe consegui responder logo, tão ocupado estava em ver o que daria uma parte, digo, um homem multiplicado por dois para uma Maria só, e contando rapidamente pelos dedos - que a resposta ao Januário já tardava - ia prevendo qual das partes me caberiam a mim sem estragar o sacrossanto todo!
- Você está com cara de pouca ciência… E é você doutor! É assim a educação universitária de hoje, que nem uma regra de três conseguem aplicar! Iliteracia pura!
- Januário! Se estou com cara de escassa ciência, é porque me parece uma tremenda burrice a sua prova de três nestas coisas de cama.
- Divida o resultado da multiplicação, homem de Deus! Divida!
- Divido? Eu preferia logo ficar com a Maria, não me acode a ideia de a cortar às partes para que a sua teoria idiota me abrilhante a inteligência! E deixe lá o Deus em paz!
- Mas divida! Vai ver que dá meia Maria para cada um, o resultado é primo, e assim ficam as contas saldadas!
Burro me julguei eu no princípio desta conversa! Asno diplomado em regras de três complicadas seria, se ali continuasse a ouvir as palermices matematicamente certas daquela azémola!
E cá entre nós, pus-me a pensar o que aconteceria se o Miguel fosse desta laia, acreditasse em regras de três e soubesse que ando há três meses com a namorada dele!
Genial, esta regra de três simples. Parabéns.
ResponderEliminarContinua.
Abrç
Margarida
Ah! Muito bom Almeida. Vá escrevendo que vou lendo. Abraço.
ResponderEliminarAntónio ,os teus contos são lindos .Queremos mais,parece que temos que esperar até 6ª feira!!! Mas qie venham
ResponderEliminarqueremos mais!.. queremos mais!
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