quarta-feira, 2 de novembro de 2011

VOSSA EXCELÊNCIA É UM BILTRE!

                                                                                                         Foto Jaime Bahia   
        Fui encarregado de dizer a Vossa Excelência que é um biltre!
            Não se trata aqui de mera ofensa de amigos desavindos mas de o informar pessoal, directa e educadamente que a consideração que existe por si em quem me pediu tal encargo, se aproxima com avantajada velocidade do cheiro a esgoto – peço desculpa dos termos que estou a usar mas a fidelidade a uma promessa ou encargo tem que honradamente ser cumprida.
            Um biltre é, de acordo com o dicionário - caso Vossa Excelência o não tenha consultado nestas últimas décadas - um homem de mau carácter, um patife ou um tratante. Recorre-se ao último Acordo Ortográfico para não incorrer eu próprio em qualquer erro semântico de que Vossa Excelência não possa ser culpado.
            A sua opinião sobre a Mulher, sendo propositada a letra maiúscula, rasteja efectivamente sobre as pouco odoríferas lamas do referido caneiro.
         Quem me solicitou este encargo informativo sobre o seu carácter, encomendou-mo com palavras que a educação esmerada de que fui alvo logo após a nascença e a intenção de fazer publicar a sua opinião em redes sociais - tão pestilentas como as acusações – não autorizam ou, vá lá, desaconselham o seu uso.
          Num pequeno intervalo, antes de confirmar que Vossa Excelência é um tratante, o respeito lhe seja devido, é minha opinião que fizera melhor a pessoa incumbente em ir já com o assunto para umas dessas pestes sociais destes tempos imorais de agora, do que tentar utilizar a capacidade de leitura que Vossa Excelência não tem, ou é por igual às das tartarugas Maurícias, igualmente de cavalgar e tirar o retrato.
O esterco – com sua licença – que o cobriria nesses locais de duvidoso valor social onde se trocam em público as sujidades das ceroulas de cada um, por serem palco de ignomínias impossíveis de lavar uma vez soltas ao ciclone das palavras, seria maior castigo do que esta missiva delicada de efémera vida.
Porquê?
Porque com um bom banho - se sabe o que isso é e fontes fidedignas dizem-me o contrário – a lama que o cobre pode sempre ser lavada. Diversamente, isso, como provei acima, não sucede com a lama atirada em qualquer moderno FB. Aí cai e fica.
Permita que continuemos.
Acredita Vossa Excelência que levar uma mulher para um piolhoso apartamento na Fonte da Telha, é sinal de grandeza. Pois não é. A Mulher que ofendeu e que ameaça acabar com um relacionamento de alguma data consigo, tem de uso e garantia bem melhores instalações proporcionadas pelo marido legítimo em requintados lugares da fina urbe da Linha do Estoril.
Fico feliz de mal o conhecer pessoalmente, mas sem muita dificuldade, traço o seu perfil de biltre.
A forma tortuosa da sua mente assemelha-se a um bife à inglesa, isto é mal passada e no seu caso sem ovo a cavalo.
A sua forma de pensar é igual a conduzir um carro europeu numa estrada britânica, uma vez que anda pela esquerda num carro com o volante do lado errado. Logo, nunca acerta por mais que se esforce.
Que dizer da sua moral? Que é imoral? É pouco. Vossa Excelência, que vai autorizar o recuo do extenso para um mero Vexa, quanto a moralidade, é um lugar comum.
Sem nível, banal, deslavado, desconhece a altura de um tratamento superior, substantivo, elevado, raro, adequado como o que eu tenho a honra de praticar com uma Mulher, por mais íntimo que seja o nosso relacionamento.
É por isso, meu caro ex-Vossa Excelência, que veementemente e estando bem marcadas as nossas diferenças de carácter e procedimento, que em nome da ofendida, lhe sugiro, ordeno, que passe a tratar tão bem a minha mulher como eu trato da sua Amelita na nossa intimidade!
Com vossa licença, termino!

2 comentários:

  1. Mais um conto do António,cheio de imaginaçao,criatividade e com um final sempre inesperado"À maneira" do Auto.Parabéns.



    Ana

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  2. grande "melão" :-)

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